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A reestruturação dos imóveis comerciais no pós-pandemia


Foto: freepik

A pandemia do novo coronavírus e o distanciamento social alteraram os padrões de comportamento e refletiram em um “novo jeito de morar”. As pessoas estão desenhando um novo modelo de lar, o que fez com que surgissem novos formatos de construção, com impactos na (re) estruturação das cidades.


Mas não foram somente os imóveis residenciais que ganharam novos contornos. A Covid-19 também trouxe mudanças para o setor comercial. Com várias empresas migrando para o home office — que parece que conquistou o seu lugar —, houve uma grande desocupação dos prédios comerciais.


Segundo pesquisa feita no Rio de Janeiro por uma das maiores empresas de gestão de condomínios do País, de um total de cerca de 40 mil imóveis comerciais ocupados, 2,46% perderam seus inquilinos em abril; 2,84% em maio e 3,06% em junho.


Este último mês também foi referência para um levantamento da consultoria imobiliária Cushman & Wakefield, que mostra que o mercado de edifícios corporativos classe A de São Paulo teve mais áreas devolvidas que alugadas em junho. A diferença de 10,1 mil m² resultou no pior mês para o mercado corporativo paulistano em 2020.


Mas tudo isso não significa — veja bem — o fim dos prédios comerciais. Assim como os imóveis residenciais estão passando por adequações, os comerciais também irão passar. Por isso, é bom ficar atento ao que vem sendo projetado para o mercado imobiliário comercial.


Empresas devem reduzir o home office


Embora implementado às pressas por grande parte das empresas, o home office foi aprovado pela maioria das organizações. É isso que indica um estudo conduzido pela Fundação Instituto de Administração (FIA), realizado em meados de abril com 139 empresas brasileiras de grande, médio e pequeno porte.


A pesquisa mostra que 94% das empresas brasileiras atingiram ou superaram suas expectativas de resultados com o home office. Mesmo assim, 70% preveem encerrar a prática ou reduzi-la a apenas 25% dos funcionários quando a pandemia acabar.


O que explica essa decisão aparentemente controversa é que o home office aumenta as chances de processos trabalhistas e que há posições que não podem ser integralmente feitas por meio do trabalho remoto.


Outros fatores também entram como empecilhos: acesso a documentos e sistemas da companhia, comportamento dos funcionários nos ambientes virtuais de comunicação e qualidade da conexão da internet na casa do trabalhador. E há ainda funcionários que são contrários ao novo modelo de trabalho e não veem a hora de voltar para o escritório.


Coworkings e o caso WeWork

Os escritórios compartilhados pareciam ter encontrado seu espaço. Mas a pandemia veio para abalar essa estrutura. Em junho, 65% dos coworkings da WeWork — maior ícone entre as empresas de escritórios compartilhados — eram ocupados por grandes empresas, mas estas também vêm rescindindo contratos.


Então, a nova aposta da WeWork é promover parcerias com o mercado tradicional: nos EUA, a startup está colocando seus escritórios para serem locados por imobiliárias. Em Nova York, a JLL é a responsável; na Califórnia, o CBRE Group. Os termos do acordo não foram divulgados, mas a média de comissão é de 6%.


A aposta no road office e room office


Algumas alternativas surgiram durante o distanciamento social para ir ao anseio de quem encontrou dificuldades para se adaptar ao home office.


Hotéis em São Paulo, por exemplo, transformaram seus quartos ociosos em escritórios que poderiam ser alugados por um dia ou mesmo longos períodos. É o chamado room office, que continua funcionando.


E agora, com a iminente flexibilização do isolamento social e pós-pandemia, há quem vislumbre novos cenários para atender aqueles que estão saturados de conjugar vida pessoal e profissional.


O setor do turismo tem apostado na migração do home office para o road office — o literal “trabalhar na estrada” — o que beneficia hotéis e imóveis de temporada, que já têm apresentado alta na demanda.


O modelo de trabalho pode se alterar, novas perspectivas serem criadas, mas os edifícios de escritórios continuarão existindo, nem que seja para novas finalidades. Cabe ao mercado estar atento às mudanças e entregar ao cliente o que ele procura.

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